Cientistas se voltam para animais extintos em busca de antibióticos mais poderosos

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Cientistas se voltam para animais extintos em busca de antibióticos mais poderosos

Mensagem  Rapharc em Qua 28 Set 2011, 16:03

RIO - Na busca por antibióticos mais poderosos, cientistas estão voltando os olhos para animais extintos há milhões de anos. Recentemente, biólogos ressuscitaram um composto que foi visto pela última vez na Terra há 59 milhões de anos, quando os mamíferos ainda se recuperavam da extinção em massa que acabou com os dinossauros. Ainda hoje, a molécula se mostrou capaz de atacar alguns do mais agressivos micro-organismos.

No ano passado, a Sociedade Americana para Doenças Infecciosas lançou desafio com o objetivo de produzir dez novos antibióticos para atacar bactérias multirresistentes até 2020. Entre as moléculas mais promissoras já encontradas estava no tecido de peixes primitivos da família das lampreias. Segundo Ben Cocks, da Universidade de La Trobe, na Austrália, esta abordagem é efetiva porque estes compostos são muito simples.

De um modo geral, os antibióticos convencionais atacam alvos específicos nas “armaduras” dos micro-organismos, como uma enzima em particular. A estratégia é semelhante à usada pelos sistemas imunológicos adaptáveis dos vertebrados, em que ele aprende a lutar contra novo invasor e aprende a lição para futuras batalhas. O problema é que os micro-organismos reformam suas “armaduras”, fazendo com que o sistema imunológico – e as empresas farmacêuticas – tenham que identificar novas fraquezas neles.

De acordo com Cocks, está corrida armamentista evolucionária pode ser evitada ao se estudar os sistemas imunológicos inatos e mais simples encontrados em algumas plantas e animais. As moléculas destes sistemas usam uma química simples para atacar lipídios nas membranas dos micro-organismos, rasgando ou enfraquecendo as membranas das bactérias ou sutilmente alterando as características das células saudáveis do hospedeiro para que fiquem imunes a elas.

Mas aí reside outro problema: os animais com os sistemas imunológicos inatos mais fortes tendem a ser tão distantes dos humanos que as moléculas retiradas deles têm efeitos tóxicos. A solução de Cocks é estudar mamíferos com os melhores sistemas inatos para retirar deles compostos que tenham maior probabilidade de serem compatíveis com os seres humanos.

Entre os animais estudados por Cocks está o wallaby, uma espécie de marsupial australiano. Os marsupiais dão à luz filhotes menos desenvolvidos do que os demais mamíferos, terminando a gestão em bolsas externas.

- Não é um ambiente limpo – disse Cocks ao site da revista “New Scientist”.

Exames mostraram que bactérias relacionadas aos micro-organismos superresistentes encontrados em hospitais estão presentes nestas bolsas, mas os filhotes dos wallabies são tão pouco desenvolvidos que ainda não têm sistemas imunológicos adaptáveis e, para sobreviverem, dependem de seu sistema inato.

Cocks e sua equipe, então buscaram no genoma do marsupial componentes deste sistema inato, identificando 14 tipos de peptídeos. Testes provaram que estas moléculas podiam matar uma grande gama de micro-organismos resistentes a remédios convencionais sem danificar células humanas. Eles notaram também que cinco destes 14 compostos pareciam ter evoluído de um ancestral comum.

- Pensamos então que a molécula do ancestral teria um efeito mais abrangente – disse Cocks.

Com base nas mudanças na composição química dos cinco peptídeos, os pesquisadores da Universidade de Sidney reconstruíram a sequência genética que codificava o peptídeo original e produziram uma versão sintética dele, efetivamente ressuscitando-o.

- O mais incrível é que ele funcionou muito bem contra uma enorme gama de patógenos – contou.

Testes de laboratório mostraram que o composto era capaz de destruir seis de sete bactérias multirresistentes e era 10 a 30 vezes mais potente que antibióticos modernos como a tetraciclina.

- Isso é significativo porque agora temos acesso a antigos peptídeos para o futuro desenvolvimento de remédios – considerou Cocks.

Segundo Damian Dowling, da Universidade Monash, também na Austrália, peptídeos há muito extintos podem ser mais eficientes que outros encontrados em animais vivos porque as bactérias não são expostas a eles há milhões de anos.

- Mesmo que a bactéria tenha uma vez desenvolvido resistência contra este peptídeo, provavelmente ela já a perdeu – disse.

Matéria disponivel em http://extra.globo.com/noticias
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